Diz o poeta argentino Enrique Molina sobre poesia:
Em minha infância vivi no campo e creio que a vocação poética nasce de uma espécie de sabedoria inconsciente para receber a mensagem fascinante das coisas; a música misteriosa do mundo. A infância é o momento inicial da poesia, seu campo de cultivo.
Por sua especial disposição de intuir que a realidade está carregada de segredos sem fim e que as coisas mantém entre si as mais insuspeitadas relações sob suas aparências cotidianas, a infância mantém sua inocência primordial para passar para o outro lado do espelho.
Seu universo ainda não está estratificado. É ainda fluido e incandescente como o universo da poesia. Essa sua atitude de assombro permanente diante de tudo quanto a rodeia é a mesma atitude da poesia em busca de uma resposta sobre a "abismática" natureza do ser.
A diferença entre a criança e o poeta é que a primeira ignora a morte. É imortal.
Por sua especial disposição de intuir que a realidade está carregada de segredos sem fim e que as coisas mantém entre si as mais insuspeitadas relações sob suas aparências cotidianas, a infância mantém sua inocência primordial para passar para o outro lado do espelho.
Seu universo ainda não está estratificado. É ainda fluido e incandescente como o universo da poesia. Essa sua atitude de assombro permanente diante de tudo quanto a rodeia é a mesma atitude da poesia em busca de uma resposta sobre a "abismática" natureza do ser.
A diferença entre a criança e o poeta é que a primeira ignora a morte. É imortal.
Ante a finitude da existência o homem, por sua vez pode cair na angústia, na resignação, ou então na rebeldia e no desafio da condição humana, como em Rimbaud, em Lautréamont, no Surrealismo.
Porém, paradoxalmente, a consciência da morte não induz ao despojamento ou à renúncia, mas sim à mais funda raiz do desejo sempre estimulado pelo adeus infinito das coisas...
Pouco a pouco se toma consciência da poesia como processo de revelação. Uma ruptura com os estreitos limites a que são submetidos os seres, por ordem do utilitário, para lhes impedir uma fraternidade mais profunda entre si e o Universo.
Ela suscita uma forma particular de conhecimento, o seja, uma dimensão da existência. Em toda obra lírica, desde a febre das coisas, o tempo e o destino vão estruturando algo assim como uma cosmovisão particular em que o autor se instala em um reino próprio, como se o mesmo lhe estivesse misteriosamente destinado.
Uma especial maneira de sentir e conceber nossas relações com as coisas; inconscientemente se impõem certos valores, certas preferências, certa maneira de ver, de eleger a grade ou o sol; assim, fora de todo proposito, se acaba por ter uma fauna e uma flora próprias, que são universais e ao mesmo tempo estranhamente diferentes de todas.
Um inferno e sempre um paraíso perdido próprios. Países que mudam de forma e nos seguem como animais; as mulheres fantásticas ou fantasticamente reais que surgem a cada passo e dão à vida um tom insone. É impossível escapar daquilo que se conquistou nessa aventura, em que se tece o destino e em que talvez alguém ou algo escolha a si mesmo; tudo ficou para mim sob o signo do desejo.
O poema nasce, para mim, de um impulso inconsciente fora de todo conteúdo intelectual prévio. Somente depois da reflexão o alcança, e em certo modo o descobre.
O poeta, diz Höderlin, é o que corre até a catástrofe. Até qual catástrofe? À trágica consciência de nossa condição, instalados em uma realidade que não é a real e em um mundo infinitamente devorador.
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