REFERENCIA DA IMAGEM: illusionsgallery.com
Não tive macro universo social. Minhas esferas sociais sempre foram simples. Minha mente é que, tenra, já recusou-se a permanecer onde seria lógico estar. A fome de aventuras muito além das parcas possibilidades sociais me assolaram muito antes de eu entender do que se tratava o termo "adolescência".
A Fortuna (sentido maquiavélico) me serviu em desviar de minhas rotas algum intenso mal e crueldade final, embora, sim, tenha passado por trechos que tornam as aventurinhas de desgosto do Cris (do seriado) coisa de aspirante à escoteiro. Lembro de quando aprendi "matar aulas" e ir atrás de refresco corporal em córregos pelos sítios bastante longínquos que até hoje meus pais seriam incapazes de supor que andei, tomar companhia de mil tipos de moleques de caminhos para lá de tortos.
Mas, dissimulava perfeitamente as aventuras e voltava ileso para casa, como se compenetrado nas entediantes aulas houvera passado as tardes mornas. Nessa época já começava alguma proteção dos conterrâneos de Thor sobre minha integridade, salvo uns cascudos, empurrões e amolações verbais, consentiam meu testemunho sobre as coisas, sem maiores problemas, e começou minha observação social.
Não sei se foi nesse tempo que comecei a perceber uma estranha semelhança entre crocodilos e pessoas. O que lhes causa, o cheiro da ruína alheia. O prazer quase sexual que crocodilos e pessoas sentem, quando percebem o cheiro de sangue alheio. A diferença vem em que propõe Saramago sobre dois tipos especiais de sangue, o branco e salgado, lágrimas, e o invisível, derramado pela alma, que difere "biologicamente" homens e crocodilos. A NatGeo conta que quando um crocodilo é ferido e escapa seu sangue pelas águas, a reação de sua espécie não é de compaixão... Os crocodilos, em êxtase, rejubilam-se no sangue de seus irmãos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário