REFERÊNCIA DA IMAGEM: sebodomessias.com.br
Ken Parker é o mais genuinamente temático herói de quadrinhos de minha infância, bateu até mesmo o pistoleiro de jacketa sulista, roxa, que carrega eternamente um coice de mula no rosto e a dureza que somente os inatos possuem, Jonah Hex. Em Faroeste, fora incursões de "bolsilivros" e revistas tipo "Epopéia Tri", seis heróis faroestinos e da selva eram alvo de minha busca, ficando no final interessado, de fato, somente por Tex, Jonah Hex e Ken Parker, com larga preferência para o último.
Akim, aos poucos mostrou o rídiculo de uma péssima linha "Tarzan", conversava com bichos, e embora de bom humor em alguns momentos, tornou-se tosco e o abandonei. Tarzan tinha altos e baixos e imagino que era argumentado por gentes diferentes, tal era a quebra de linhas de raciocínio. Foi até Batman decretar "fim de linha" para ele. Tex Willer, com seu filho, com seu velho amigo cabelos de prata e o índio, rendeu grandes efusões espirituais, Tex foi o "mocinho" por excelência, e havia temas em suas histórias.
Jonah Hex cativou pelo desprezo que tinha aos homens de pouco escrúpulos, para ele a morte é como Ajax ou Veja, limpa o ambiente, é chumbo quente e parece-se em espírito geral com o Wolverine dos primeiros tempos. Tão bom que até o filme (aliás com Show -de novo- de Josh Brolin, herói às avessas em "Onde os fracos não tem vez" -dos pra lá de bons irmãos Cohen).
Mas o cara mesmo é Ken Parker, jamais na literatura encontrei um personagem tão equilibrado, que dispensasse tão genialmente os favores culturais do tempo específico. Ele é de fato atemporal; qualquer ambiente se sujeita a ele; ele se sujeita a qualquer ambiente. Não li uma história fracassada de Ken, não detectei jamais uma quebra, mínima que seja, na coerência. Poderia se apontar como "defeito" talvez a qualidade de gráficos, mas para mim a coisa é meio Sexy Pistols, "faz parte".
Ele é o polo de oposição a Zagor, este ridículo e esmagadoramente supremo em aquisições no Brasil, o que é 'Tcha chum se te pego' fácil de entender. É raso, ridículo, uma tentativa tosca, paródica, de fazer um herói quixote; li os primeiros, quando minha mente começava a tocar no mundo dos quadrinhos, e mesmo com raciocínios básicos sobre tramas, vi que não suportaria os anseios de leitores que sempre querem "mais" e precisam de verossimilhança.
"É preciso que a verdade não suplante a verdade, na arte" (Shakespeare). Em um filme, Jesus Cristo não precisa ir a tanto e falar aramaico, pode falar em inglês, mas tem que "ser" o Jesus da promessa da história, fundido com a imaginação geral que se tem dele; ou recriá-lo com muito, muito vigor. Ken Parker renderia 100 ou mais filmes de qualidade, um seriado profundo. Mas, sei não... Isso é sonho... Acho que, principalmente no Brasil, ele morreu com minha geração.

2 comentários:
Dante:
Nunca ouvi falar desse Ken Parker. Mas agora, com o teu aval, vou correr atrás [para compensar o] prejuízo.
Leio muito o Tex. Quadrinhos (essa arte do Desenho) me fascinam, inclusive o traço de Tex. Há muitas histórias boas, mas há também muitas histórias absurdas.
Gostei muito das séries japonesas Lobo Solitário e Vagabond.
Curto também os mangás de tema moderno, como Hikaru no Go e (esta para moças) 100% Morango. Basilisk tinha personagens assustadores e feios, mas com boa história.
Depois de inúmeras tentativas frustradas, finalmente entendi como se usa o desenho vetorial, e consegui produzir o meu primeiro desenho (um nu artístico, copiado de duas fotos mais adaptações, com as tradicionais estrelinhas encobrindo bicos de seios). Enfim, sigamos para ver no que vai dar...
Você tem também influência dos quadrinhos, ótimo :o)! E ótimo saber de sua incursão, na qual aposto em seus traços; aliás, escolheu muito bem o início temático :o). Ei, Jarbas, vários dos quadrinhos por ti descritos são por mim desconhecidos, espero, ao "sair da toca", em que ainda permanecerei um tempito, depare com bancas que possam oferecê-los à curiosidade que em mim despertaste. Que bom amigo, que você apareceu por aqui. Tenho publicado mais no facebook, mas ouro em pessoas, como você, me incentivam a estar vez ou outra blogando. Abraço, caro amigo; SIGAMOS!
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