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NO PRÓXIMO TERERE SEMPRE UMA PROSA

sábado, 15 de novembro de 2008

A ÍNDIA DA TORRE NORTE - MUITO APÓS O "DESCOBRIMENTO DO BRASIL"



                                                    FONTE: banco.agenciaoglobo.com.br
                                                         FONTE: www.galleryone.com

                                               FONTE: ainterpretacaodotempo.blogspot.com


" [...] Quem modelou teu rosto, quem viu a tua alma entrando, quem viu a tua alma entrar... ...Será que você vai saber o quanto penso em você [...]"

Dizer que é correto aceitar todas as criações imaginativas em nome da arte, sim; mas ou é nicho ou nada de cultura de massa, isso é sempre coisa de algum tipo de tirania disfarçada, principalmente em início de algum objetivo político, geralmente muito ambicioso, ligado a tal infernal atitude de engajamento, arte em política, simplesmente merda.

Embora eu procure respeitar os amigos próximos, quando estão próximos, sinceramente... convenhamos, há patamares... A abelha operária é tão linda quanto o leão, mas o leão, bem... ele é o leão, sabe? Falando em “sabe”:

Oh Renato Russo, poeta imortal, poeta do mais fino e raro composto vital: pessoa estelar: “tenho andado distraído...”, pois me disseram que “o futuro não é mais como era antigamente”, (Seu Deus é ao mesmo tempo três, e vocês mataram um?), "Só a verdade é que liberta, venha que o que vem é perfeição...", "Descobrimento do Brasil", Renato Russo é genialidade, fim de papo.

A ÍNDIA NA TORRE NORTE

Quando pego a estrada norte vejo uma mulher no alto de uma torre, seus cabelos de índia americana e seus olhos de uma prisão estranhamente consentida -e não, pois é da ampla existência histórica patriarcal- 

Suas palavras doces e balbuciadas são ouvidas por mim ao longe da estrada... Não come pão, não toma água, come somente mesma marmelada que lhe dão, um mingau mágico, dizem entre si;

Oh, Natureza, tão estranha, porque dá esses caminhos raros por onde vemos mulheres nas torres?

Na torre norte não me sinto forte, mesmo nos momentos insólitos que fogem da dama, não consigo ver um segundo, aquilo que Dionísio disse “Tomem! Isso é de vocês, amem;

Oh torre tão bem construída, de que me adianta entrar pelo teu luminoso pórtico para os visitantes e errantes, de que adianta entrar pelos portões abertos com dobradiças atiçadas pelo mel, se encontro um anjo de costas, mentindo que gosta desse eternamente infantil carrossel;

De que me adianta saber que tudo está feito, que tudo é direito, que tudo é perfeito, se sou eu a chorar o não ser, o não sentir, não ver;

De que adianta a mim saber que essas contas inseguras nada valem, são joias de um terço de novena mentirosa, é baixa prosa, dá pena, que adianta a mim o saber, se não consigo o ato de coragem para no tempo guardar, o segredo do sul dos paladares... 

O chegar na ilha, pertencer/ter, paladares... Oh resultado, mero cansaço, mera compaixão pela esguia mulher da torre; ela até queria, nem mesmo sabe, mas tudo que diz a entrega, queria;

Tão linda, sequiosa, pequena, magra e gostosa, seguramente ansiosa, mas... sem a si própria há anos que perdeu conta, hoje só trêmula memória, lembro que sempre aquela guarda, algum tipo de remorso, constante, na nossa
prosa...

E a torre, passa, continua e passa, e a índia, americana, dos filmes de John Wayne que impregna 
meu inconsciente, das tardes, das tranças desfeitas,

Índia branca amarelada, morena marron glacê, mostarda; fusões perfeitas, montada num marfim de elefante, como se um cisne a possuísse, olha e não sabe, não sabe porque são invólucros de carne e magia; são as carnes, porque são as chamas, mas deixá-la a si, sempre é a melhor saída, porque da última torre somente ela que sabe

Recatai, recatai, recatai, celebrai, recatai, recatai, celebrai tua oração, linda, magnífica índia da torre... índia da torre... 

Se um dia eu não passar mais sob tua janela, tão alta, saiba, acatei teu ser, e sei, que ser não é questão às vezes... O tempo passa, soberano, acima de tudo... parece chover, parece chover... (Dante-Jorge)

Um comentário:

Jan disse...

Vim... li.... Gostei... gosto muito de ler o que escreves J.