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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O ESPÍRITO DE CADA UM, CADA UM...


FONTE: novoscomecos.blogspot.com
FONTE: www.teclasap.com.br

FONTE: alemmarpeixevoador.blogspot.com

DEUS!

DIABO!

Sabe, esses dois, que não sei direito nunca quem são realmente, regem coisas demais, e levam culpa demais por conta de nossa natural covardia transferir responsabilidades.

Bem que tento achar o primeiro de uma forma que gentes de Athenas e sob Príamo fiquem em agrado... Mas... Não consigo.

Saramago os põe em trato um com o outro para que haja o equilíbrio paradisíaco-infernal chamado Livre Arbítrio (assim mesmo, com maiúsculas, afinal de contas maior equação perene não há nos assuntos terreno-celestiais mais agudos)...

Não há motivos para se temer Deus ou o Diabo; o primeiro deve ser generosidade absoluta, e o primeiro é só não fazer tratos ou dever-lhe, afinal.

A VIDA

É curta? Seguramente para a maioria sim...

Será que é isso que nos faz correr tanto e sermos tão ansiosos, tão cada vez mais objetivos, tão mais exigentes da brevidade alheia, cada vez mais distantes um do outro porque dá preguiça ouvir tudo, porque parecemos "adivinhar", prever, até com relativa facilidade, tudo o que o outro vai dizer “logo de cara”, ou porque parece que nada de interessante será revelado no discurso comum, que nos parece cada vez mais enfadonho, cada vez mais sem sentido...

Seja breve! Diga logo o que tem a dizer! Não saia do foco! Seja objetivo... Hoje não tenho tempo! Ah, "tá", a gente se fala... Qualquer hora passa lá (espero que nunca apareça).

As pessoas estão cada vez mais de braços cruzados perante a questão humana principal –ser próximo, portanto humano- vão como lemingues, alegres, embalados por canções que não pedem uma reflexão maior do que “eu e meu ‘amor’” essas porcarias da música açucarada, chorosa e enfadonha; irremediavelmente vão em direção a um grande fosso para suicídios alegres, com a tatuagem:  "espírito construído no vazio...".

E o que enche um espírito? Um “ave Maria”, Dinheiro? O que enche um espírito? Aliás, o que é um espírito? Um conjunto perceptivo complexo contido num ser e estar entre geral e particular? Talvez sim... 

Graças ao meu estranho Deus, sou poeta. Digo isso cheio de orgulho, pois sou o poeta que quero ser... Me falta cultura, me falta mais leitura e mais sabedoria, faltam-me pessoas junto de mim, falta-me uma mulher louca o suficiente, faltam-me mais amigos com mais tempo e paciência, tenho alguns... Falta-me um ganha-pão “sério”, faltam-me tantas coisas; errei tanto e por isso, principalmente, me faltam essas coisas... Mas, me sinto humano,  me sinto tendo algo do Jorge, cada vez mais Jorge Rodrigues, sem perder o Dante Sempiterno, que esperaram, quando solenemente batizaram o bugrinho chorão que veio.

Se cada vez mais triste, é porque cada vez mais sábio; se sabemos, sabemos que há tanto distanciamento entre homens e homens, e entre homens e Deus... Não o deus patético que os mercenários de púlpitos e homens tele-shows vêm miseravelmente fazendo, sim um Deus integrado em um ser constante e ordenado no de que melhor pode oferecer a fantástica Ordem...

Contudo, sou feliz porque sou triste, porque sou poeta, mesmo com tudo que me falta... Sou um poeta, não um bordador, melancólico, maravilhosamente triste, maravilhosamente fiel a um mim, tão mim que não adianta vir nem mesmo à janela...

E disse A. R. Ammons: "...posso ser feliz e triste..." E flor de pêssego floresce em determinada árvore, determinado dia". E parece que ainda assim, com determinação anterior, algo pode talvez fugir por uma ideia que se transforma em um grande evento, complemente Nietzsche... talvez isso; mas literalmente ele diz: "As maiores ideias são os maiores eventos". 

Um comentário:

Unknown disse...

Jorge, passei os olhos por seus textos e me achei, achei o Edgar, a D. Maria Emília e o Contini. Me achei não somente como nome e como referência especular (se você soubesse como tenho medo disso...), mas também com as falas de Roy, de Blade Runner: o que estes olhos viram talvez nenhum outro ser tenha visto. O que os olhos de cada um vêem nenhum outro ser há de ver. Falas humanas, desgraçadamente humanas, na voz de uma criatura... Abraços, Profa. Rosana.