Nesta semana ouvi alguém dizer de
forma estúpida:
"esse é o mundo 'deles' é o mundo gay deles"... (?).
Obs. Tenho consciência de que
falo aqui com o risco de dizer bobagens ou mais que isso. Pois toco em um
nevrálgico ponto social que na verdade não deveria existir, pois realmente
somos todos, sem exceção, diferentes uns dos outros, e deveríamos nos aceitar
sempre assim, não somente nas igualdades, mas nas milhares de diferenças que
temos uns dos outros.
A violência contra os gays são de
ampla e profunda diversidade. São atacados em toda forma, em toda escala de
violência. As fontes geradoras da má vontade (ativa) social contra os gays são
de diversa ordem, e por incrível que pareça, gays atacam gays, quanto aos
procedimentos; isso é particularmente comovente, no sentido negativo.
A babel
que essa palavra "gay" desperta
talvez terminaria quando a sociedade percebesse que, factualmente, isso
não deveria ter importância. Quando a palavra gay se dilui na humanidade, é
anulada, em si, pelo amor; perde todo o sentido, naquilo que realmente se trata
de um nada; que não existem gays, assim como não existem nativos, não existem
negros, brancos, não existem executivos ou garis, no mundo humano. Esse
absurdo, que nada tem de maluco ou provocativo encontra concordância em vários
gays que lutam justamente por isso, pela anulação da importância da questão ou
na palavra; quando você disser "ei branquelo" for tão nulo quanto
disser "ei negão".
Deveria haver um "mundo
gay"? Não! Tanto quanto não deveriam haver Frankesteins; que em literatura
é um símbolo de defesa contra a estupidez do mundo.
Sim. O ataque de Frankestein ao
mundo é uma devolução chamada DEFESA. Primeiro ele é ingênuo ao ponto de pensar
que é aceito, e então, aos poucos percebe como é realmente encarado por aqueles
que inventaram o amor, através de suas muitas instituições, passando pela
família tradicional, patriarcal, e as igrejas em geral; em como as pessoas
determinam costumes e fazem destes, verdadeiras pedras que constroem e
cristalizam o ser social.
O "mundo gay" é como
Avalon, pode sumir quando não mais houver necessidade dele, quando o mundo é
somente um: humano. Mas, por enquanto, ele tem que existir, para defender-se;
para realizar a genuinidade de seus amores e gostares.
É AÍ QUE ACABA A DIFERENÇA entre
Frankestein e o Mundo gay.
Porque, na realidade, e por mais que no avanço da ciência e as
relações sociais se busque a imposição de amplos sufrágios, se Frankestein e o
Mundo Gay é melhor aceito nos papéis de literatura ou a partir dela (cinema,
novelitas, etc.) o último não tem saída. Frankestein fica, no final da
história, protegido pela literatura e mundo imaginário, pela morte, lá onde
nasceu e viveu, na manifestação da prodigiosa mente de Shelley. Já, o MUNDO
GAY, não, não mesmo; esse tem que vir à vida e sua estupidez, tem que existir e
trabalhar contra si próprio, finalmente, a favor de sua anulação, de quando
realmente é apenas tão mundo que ninguém percebe que o amor é espírito, muito
mais que encontro e frisson de carnes.
E Shelley, visivelmente,
construiu Frankestein para verificarmos que o problema básico de termos
"inventado" o amor e o enriquecimento atômico é que nos comportamos
como imbecis com o que inventamos, precisamos ir adiante e não conseguimos,
precisamos transformar o amor em amor, e não conseguimos ainda; mas precisamos;
precisamos anular os nichos até que só o sejam com a mesma finalidade que se
busca um "blues bar", um sertanejo" bar; o momento efêmero em
que a especificidade toma a coroa social sobre a mais importante, a humana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário