REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
sabordebaunilha.blogspot.com
luispellegrini.com.br
humortalha.com
fotocomedia.com
Diziam professores "ginasiais" ( pré ens. médio), "você fugiu do tema". E depois no médio, "você fugiu do tema". E nesse período viria uma frase libertadora "surreal demais", criticava um professor. Eu não tinha a mínima idéia do que se tratava o surrealismo. Eu me esforçava para fazer boas redações, eu queria aquela minúscula glória que transforma a alma de meninos, o elogio. Mas ele não vinha. Não de professores, pelo contrário, vinham desestímulos, muitas críticas sobre a confusa abordagem que eu fazia de concretismo e outro ismos. Mas, sem chororô... É assim mesmo, e de alguma forma havia compensação, alguns amigos de turma reconheciam em mim ao menos alguém que gostava de escrever... fosse torto, fosse o quê.
Que porra é concretismo? Que papel a merda do concretismo desempenha de fato nos espíritos juvenis que buscam a porra da escola para enriquecer o espírito, avançar na prática intelectiva que além de os colocar profissionalmente dará evolução espiritual... Oh, Santo Cristo. E eu precisava da fuga, eu precisava correr como Beethoven fez, e pelo mesmo motivo, em "Minha amada imortal". Viria então a terrível palavra, carregada de toneladas de equívocos "de toda parte possível", "mo-no-gra-fia", como pronunciaria Renato e o fez com a maldita "Te-Vê".
A monografia é afinal uma impossibilidade de o termo sofrer um mínimo sequer de fuga da simplicidade. Mono, um apenas; grafia, escrita; mais óbvio impossível: escrever sobre apenas uma coisa. Mas falar de um lápis, por exemplo, evoca sua fábrica, tudo que escreveu, sua história. Então a monografia tem um "problema". Um professor arguto escreveu certo dia sobre monografias: "se você não tem um problema, você tem um problema". Professores acadêmicos idiotas costumam transformar isso em um terror, em uma prática torturante, como a maioria dos pontos que são trabalhados em metodologia científica, termo que dá arrepios geralmente em todo ser estudante assim que é proposto. "Você fugiu do tema"; "Você não tem um problema de pesquisa".
Sabe, essas são merdas muito mal explicadas por professores de merda que costumam escrever em enormes trechos produzidos a suor sangue e lágrimas "melhorar" (sem dar uma mínima pista, melhorar o que, caríssimo? Mostra-me, da-me pistas, é teu papel, 'mestre'...). Um professor de verdade trabalhará essa porra de fugir do tema com jogo de cintura, que é o que todo professor deve ter se entende que isso de dar aulas é mais que ganhar o pão e disso até o fim dos séculos será indesviável. E trabalhará com simplicidade a explicação sobre problema de pesquisa, que é afinal só escolher uma especificidade no geral.
A incongruência que levará toneladas de professores aos caldeirões luciferianos é o seguinte, além de ser o fato de ele fugir do básico do básico que é explicar com inteligência, com clareza, o que é de fato uma construção de pesquisa, não apoiar mesmo, de verdade, seu aluno na formação da estrutura do trabalho proposto e sem frescura no rabo mostrar uma linha que sustente do começo ao fim a condução da suposta curiosidade acadêmica em favor da ciência.
E, POOOORRRAAAA, não é para exigir que o acadêmico apresente talentos de escritor, uma revolução teórica (o que até pode acontecer, mas não é a finalidade) é apenas uma verificação se ele consegue estruturar razoavelmente em sua língua um assunto científico e explicá-lo, em parte a sua maneira, dizer o que pensa desse assunto que pertence a sua área, tocando nos pontos principais. Não é uma revolução tecnológica, científica, é apenas uma demonstração de domínios, razoável, em média. De resto irão ao mundo da pesquisa aqueles que de fato se sentirem impelidos.
Claro, deve haver cobranças, determinado rigor é lei em se tratando de pesquisa acadêmica, de produção científica. Mas, terror não, isso é de professor bosta, que precisa de tratamento de cuca, de terapia, para não fazê-la sobre acadêmicos que carregam uma herança maldita construída em parte por nós, professores. Os melhores professores que tive, entre eles a melhor entre os melhores, Rosana Zanelatto, nos fazia produzir conhecimentos, sem jamais a metodologia científica usurpar o papel principal, do saber de fato. E o modo simples que ela faz isso demonstra claramente que está ao alcance de todo professor que queira de fato cobrar uma monografia e não fazer do ensino um meio infernal de mostrar o quanto ele pode ser improducente e desestimulante, aí sim... TOTALMENTE FUGIDO DO TEMA! Um professor estúpido que lança mão de estratégia indigna como esta, dizer simploriamente "você fugiu do tema" e só, é no mínimo um covarde e ultrapassado. Oh, Santo Cristo... Monografia não é fácil, mas não é o Jason, não pode ser... Jasons são os péssimos profissionais da Educação, que perpetuam suas bundas e pegadas em solo sagrado para uma humanidade de fato inteligente.





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